segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

12º dia - Perito Moreno/Arg a Gobernador Gregores/Arg - 357km

Acordamos cedo e arrumamos nossos equipamentos. Tomamos um delicioso café da manhã no hotel e depois fui tirar a moto da garagem. Já não vi as motos dos brasileiros, saíram mais cedo. Abastecemos a RT na saída da cidade e tomamos rumo a famosa Ruta40, Argentina. 8h20 já na estrada.






acabou a moleza






terra impregnada




Recebemos a informação que teríamos uns 30km de asfalto e depois rípio. Informação confirmada logo após. Vento forte já pela manhã. Seguimos tranqüilos até Bajo Caracoles, onde paramos para conhecer o local e tomarmos um café. Não precisamos abastecer a RT pois ela tem mais de 500km de autonomia nessas estradas.






"seu" Neto


janelas e portas lotadas de "calcos"






Conhecemos um senhor alemão que subiu de Punta Arenas até Bajo Caracoles, numa BMW antiga. Pelo que passou, estariam fazendo um encontro no meio do deserto, com outros 15 motociclistas que viriam logo mais tarde. Legal. Nos encontramos novamente com a dupla de brasileiros de Rio Grande/RS, na pickup Strada. Abastecerem o carro e seguiram viagem na nossa frente.

Nós ficamos um pouco mais conversando com o dono do local, senhor Netto. Pessoa bem simpática e de boa conversa. Aproveitei para ligar para o amigo estradeiro Gilberto, de Porto Alegre/RS.


irmãs BMW




antiga guerreira enfrentando a 40


Seguimos viagem, tranqüilos. Paramos para ver o que sobrou do restaurante e hospedagem El Olnie, que está presente em muitas fotos de outros aventureiros que passaram pelo local. Agora só resta o abandono. Os rípios, no estilo "pedreira", sempre presente nessa estrada.




O problema da hora seria novamente o vento. Muito vento lateral. Por duas ou três vezes quase saímos da estrada. Nunca tinha "visto" um vento lateral tão forte, que arrastou até a RT.

Numa das paradas por causa do vento, de tanto levar "bombada" lateral, acabamos deitando a RT no chão. Sorte que escorou no motor e no bauleto traseiro. Nada demais, somente alguns pequenos riscos. E para levantar o "bitrem" do chão?? Foi um sufoco, mas conseguimos.

Alinhamos a moto nos "trilhos" e rodamos mais alguns quilômetros e novamente fomos parados pelo vento lateral, tamanha a intensidade. Ficamos aguardando para dar outra saída, mas o vento parecia levar a moto.

Arrancamos novamente e conseguimos rodar 20 metros e o vento, com suas "bombadas", mas uma vez nos deitou com a moto. Levantamos a moto novamente e ficamos parados, esperando ver se passava.

Das 14h30 até às 17h. E nada do vento passar ou diminuir. Resolvemos tentar pela terceira vez sair com a moto, no meio dos rípios. Nessa não andamos nem um metro e fomos para o chão novamente.






resultados da batalha com o vento


fazer o quê?


Coisa impressionante a intensidade do vento para "dobrar" uma moto com mais de 300kg. Ficamos sem reação e sem ter o que fazer. Estudamos a possibilidade de abandonar a moto e buscar no outro dia, talvez com o tempo mais favorável. Alguns carros passaram a pararam, mas não tinham o que fazer para ajudar. Um deles nos falou que outros motociclistas brasileiros tinham caido logo adiante, também pela força do vento. Os carros andavam se "arrastando", muito devagar.

Estudei a estrada no gps. Teria uma curva a exatos 6km, onde e estrada dobraria a esquerda e o vento ficaria a favor. Mas como chegar nessa curva, o "paraíso", se nem 100 metros conseguíamos rodar??? Não subestime a natureza.

Resolvemos tentar a última alternativa. Paramos uma camionete com três alemães e explicamos a situação. A idéia era deles rodarem ao nosso lado nos protegendo do vento. Alinhamos a moto e a camionete e seguimos por "longos" e "intermináveis" 6,7 quilômetros, a 20~40 quilômetros por hora.

Um pouco difícil, pois na Ruta 40 tem muito desnível e se forma muitos "trilhos" e entre esses trilhos há uns 20/30 centímetros de pedras, tornando quase impossível passar de um para outro sem tomar um tombo.

Felizmente conseguimos vencer esses 6,7 quilômetros até que chegamos na faixa "preta", aqui chamada de pavimento. Sensação indescritível, mesmo que por 50km apenas, que foi o que durou o "chão preto".


felicidade no chão negro


Em certo momento uma placa informando: "Fin del pavimento a 500m". E vamos novamente aos rípios. Saímos da Ruta 40 e entramos numa secundária que vai a Gobernador Gregores. Acompanhamos a direção da estrada pelo gps. Nunca dei tanta importância para a tal direção da estrada como nesse trecho de hoje.


cruce de ruta - esquerda Gobernador Gregores


histórias da Patagônia






Tinhamos apenas 50km de rípios, que se tornaram um martírio vencer com o vento que estava. Tivemos uma sorte de pegar alguns trechos com montanhas na volta, que de alguma forma protegia um pouco. Passando das 19h chegamos aqui em Gobernador Gregores e fomos direto para uma hospedagem que tinha marcado por e-mail e que recomendamos a todos que passarem por aqui. Hosteria Kaiken.




Tomamos um belo e merecido banho e depois saímos jantar uma "costilla" e um bom vinho Argentino. Relembrando, é claro, do terror invisível.


merecida "costilla"




Agora estamos descansando um pouco do dia, dolorido. Mas isso faz parte de uma aventura, onde o imprevisto está sempre presente. Sorte que não tivemos nenhuma avaria no equipamento.

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