terça-feira, 23 de agosto de 2011

Constatações e curiosidades da viagem


Chegamos ao final de mais um tour em duas rodas. O que podemos dizer desse novo projeto?

Graças ao bom senhor tivemos uma excelente jornada em território Europeu. A moto se comportou bem. Não tivemos nenhum percalço durante o caminho. Apenas um dos parafusos do farol que se soltou, creio que devido a um ajuste em que não foi corretamente apertado. No geral, muito econômica, bom torque, suspensões macias, e de fácil pilotagem. E leviana, comparada com o bitrem RT. Estava com um bloco de grafite instalado na balança traseira, o que fazia automaticamente a lubrificação da corrente. Quase um cardã. Aguentou os mais de 6.000km somente com gasolina e óleo. Agradeço aos amigos da MotoXplorers pelo atendimento e receptividade em Lisboa.

Por conta própria? Foi a melhor coisa que fizemos ter alugado a moto e saído por conta própria, com o nosso próprio roteiro. Nada de grupos e/ou pacotes prontos, onde já se tem tudo a mão. Tem hotel reservado, locais para comer, tem que rodar na estrada "X" e faz isso e aquilo. Já sabe de tudo que vai rolar desde que sai do Brasil.

Se pela Argentina, Bolívia e Peru não tivemos percalços, imagina se teríamos na Europa, ainda mais nos países visitados. Erga a cabeça, estufe o peito e mande ver você também. POR CONTA PRÓPRIA. A liberdade de rodar em duas rodas está ai.

Não que um pacote "completo" não seja atrativo, às vezes até é, inclusive pode sair até mais em conta do que viajar "solo", mas nada como você mesmo planejar seu roteiro, querer rodar por estrada X ou Y, parar em tal restaurante, hotel. Mas fica a opção.

O tempo também ajudou muito. Tivemos uma ou duas oportunidades em que pegamos chuva valendo na estrada, mas por pouco tempo. Chegando em Paris e em Ax-Les-Thermes. Mas logo cessou. Começo da viagem foi com temperatura amena e tempo nublado na maior parte do percurso, o que para nós motociclistas é bom, pois calor demais com as roupas impermeáveis judia do peão.

Segurança... aqui vem um fator dez nessa viagem. Por várias vezes deixamos os equipamentos na moto e quando voltamos estavam lá, inclusive o GPS. Obviamente que não se pode dar "sopa", pois uma hora some. Mas no geral a sensação de segurança foi muito grande e em nenhum momento pensamos em algo pior. Total liberdade. Inclusive moto posando na frente de hotel.

Falando em GPS. Nem pense em começar uma viagem sem um GPS com todos os mapas por onde pretende passar. Ainda fiquei em dúvida se levaria um GPS xingling que tenho, de 5", visto que o celular já tem tal dispositivo. Sorte que, na última noite, antes do embarque para Portugal, eu fiquei futricando na internet e baixei todos os mapas dos países para o iGO8 e coloquei no GPS. Funcionou que é uma beleza. Se não tivesse o GPS talvez estivesse tentando sair do emaranhado de vias de Lisboa. E todos os mapas funcionaram 100%, com todas as ruas mapeadas. Excelente. Até as diferenças de autovias e estradas secundárias funcionaram perfeitamente.

Assunto do GPS, lembrei dos MAPAS. Também essencial para a viagem, valem cada centavo gasto. Por países, você encontra em qualquer posto de combustível. Custam entre 5 e 8 euros. Os da Michelin são os mais completos e indicam cenários bonitos nas rodovias, riscando de verde os locais de interesse. Bom comprar um de cada país, na entrada do mesmo. Lembrando que as fronteiras são abertas, não tem que carimbar passaportes ou qualquer coisa. Passaporte só é carimbado na entrada e saída da União Européia. Levamos toda a documentação exigida, inclusive a Carteira Internacional ou PID, como queira, Permissão Internacional para Dirigir, e não precisamos tirar a mesma da bagagem.

Na estrada notamos uma grande diferença para o Brasil. O pessoal respeita muito a sinalização de trânsito, tanto que não tivemos problemas em nos adequar as velocidades impostas pela legislação local. Ficamos encantados principalmente com a Suiça. O povo de lá é muito correto. Parece que o tempo não passa e que os mesmos tem todo o tempo do mundo. Entramos no jogo, não é difícil. É até agradável. Tem que rodar a 60 km/h, roda-se a 60km/h. Todos enfileirados e ninguém ultrapassa o outro. Não ouvimos sequer um "buzinaço" na Suiça. Na França ocorre o mesmo. Já na Itália creio que o sangue ferva nas veias. Característica local. O pessoal já anda mais rápido, assim como na Espanha. Portugal também se roda calmamente. No geral todos passam segurança no trânsito, pode ter suas mazelas, mas no geral é excelente, ainda mais se compararmos com algumas regiões aqui do Brasil.

As paisagens, diferentes, são sempre alvo de curiosidade. Encantadores lugares, cheios de bosques, riozinhos, casas que parecem de bonecas, principalmente na França e Suiça, flores nas janelas, aquelas montanhas verdes com um ar gelado. Por várias vezes fugimos para as estradas do interior, que de interior não tem nada, pois são melhores que muitas rodovias pedagiadas aqui no Brasil, para curtir esse visual de montanha. Castelos, "Chateaus"... conhecemos apenas um, o de Chambord. Teríamos que ter uma vida inteira para vasculhar o que a Europa dispõe.

Encontramos muitos motociclistas, principalmente nas estradas da Itália. Muitos fazendo o caminho do StelvioPass, uma das estradas mais bonitas do mundo para se rodar. Na França também. Muitas motos. Paris o pessoal vai trabalhar na boa, mesmo com chuva. Tem umas capas protetoras que eles colocam nos scooters para proteger as pernas e pés e utilizam normalmente esse meio transporte. Terno, gravata e scooter. Aqui no Brasil isso não pegaria bem, assim como bicicleta, pois tem ainda muita resistência a sua utilização, até pela péssima infraestrutura existente. Mas você olhando é legal e funciona. Berna, capital da Suiça, a maioria dos trabalhadores utilizam bicicletas para ir ao trabalho. Pouco carros, muitas bicicletas. Primeiro mundo.

França é o país dos "motor-home". Encontramos diversos pelo caminho. Famílias inteiras com o próprio lar ambulante. O bom é que na França existe nas estradas saídas laterais chamadas de "Aire ... XXX". Nessas saídas, que geralmente é de 30km em 30km, tem postos de combustíveis, locais para recreação, banho, enfim, toda a infraestrutura para você sair da rodovia e descansar, abastecer ou fazer um lanche. Coisa nobre e gratuita. O pessoal não pára na beira da estrada.

Outra coisa que mais chamou a atenção foi a palavra Self Service. Não tem frentista, não tem calibrador de pneus, não tem o carinha para jogar água no vidro e limpar, enfim, desde hotel self service encontramos pelo caminho. Até nos supermercados você mesmo pesa os alimentos e em alguns você mesmo passa o código de barras e paga automaticamente.

Para abastecer, você mesmo abastece. Desce da moto, abastece o que quiser, pega o número da bomba e vai para dentro da conveniência pagar. Em alguns casos, fica somente a bomba e a máquina. Nessas você insere o cartão de crédito, moedas ou notas e abastece. Depois que abastece é debitado o valor do seu cartão ou se pagou em dinheiro o troco é devolvido na hora. Máquinas de café também é assim. Mas a variedade de opções é enorme. Pedágios também. Somente em algumas cabines tinha o tal "operador", no geral, nem operador havia. Somente a máquina e a cancela. Também funcionam com cartões, moedas e notas. Devolvem o troco na hora. Tudo automatizado. Ficamos pensando se eliminássemos tais empregos aqui no Brasil. Seria um caos.

Curioso foi um apart hotel que pegamos em Nimes, na França. Reservamos pela manhã, antes de sairmos de Nice. Devido as belíssimas estradas do dia, montanhas, serras e afins, chegamos na tarde, depois das 18h. Fomos direto ao hotel. Chegamos lá, estava tudo fechado. No primeiro momento ficamos sem saber o que fazer. Vimos na porta um número de emergência e resolvemos ligar. A atendente estava só a 200km da cidade ehehe. Informou o código da porta de acesso e um segundo código de um cofre, já no interior do hotel. E lá fomos nós tentar. Abrimos a porta principal. Tudo ok. Tinha um cofre na parece, desses de hotel. Abrimos esse também e... surpresa: dentro havia vários envelopes, e um com o meu nome e a chave do nosso quarto dentro dele. Muita graça nessa hora. Se fosse aqui no Brasil nem sei o que seria desse tal aparthotel. Entramos. Apart hotel novo, limpinho, com tudo que se tem direito. Loucura não? Uma excelente ideia. Cittea Nimes é o nome do apart. www.citea.com . Recomendamos.

O modo de agir é diferente do nosso. O povo no geral muito educado e você como turista entra no jogo sem  se dar conta, é muito fácil interagir com pessoas assim.

Um breve resumo nem sei do que estou escrevendo aqui... e se me lembrar de algo novo vou adicionando. Pessoal que estiver lendo e tiver algum tópico, manda ver que eu faço.

Estamos em casa, revendo as fotos, selecionando, os vídeos também. Tudo de bom.

Forte abraço a todos!

Spidi e Grazi

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