quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Percurso Efetivo da Camperiada: 6.345 km rodados na Europa


Alguns mapas do percurso que fizemos na viagem:



roteiro completo

Lisboa Portugal - Burgos Espanha

Burgos Espanha - Bordeaux França

Bordeaux - Paris França

Paris França - Bern Suíça

Bern - Altdorf Suíça

Grimselpass, Sustenpass, Furkapass, Nufenenpass e Gotthardpass

Altdorf - Zurich Suíça / Klausenpass

Zurich Suíça - Sondrio Itália / Flüelapass, Ofenpass e Stelviopass

StelvioPass

Sondrio - Como Itália

Sondrio Itália - Nice França / Costa do Mediterrâneo

Nice - Nîmes França

Nîmes - Ax-Les-Thermes França

Pirenéus

Ax-Les-Thermes França - Zaragoza Espanha

Zaragoza - Madrid Espanha

Madrid Espanha - Lisboa Portugal

passeio pela região de Lisboa Portugal




terça-feira, 23 de agosto de 2011

Constatações e curiosidades da viagem


Chegamos ao final de mais um tour em duas rodas. O que podemos dizer desse novo projeto?

Graças ao bom senhor tivemos uma excelente jornada em território Europeu. A moto se comportou bem. Não tivemos nenhum percalço durante o caminho. Apenas um dos parafusos do farol que se soltou, creio que devido a um ajuste em que não foi corretamente apertado. No geral, muito econômica, bom torque, suspensões macias, e de fácil pilotagem. E leviana, comparada com o bitrem RT. Estava com um bloco de grafite instalado na balança traseira, o que fazia automaticamente a lubrificação da corrente. Quase um cardã. Aguentou os mais de 6.000km somente com gasolina e óleo. Agradeço aos amigos da MotoXplorers pelo atendimento e receptividade em Lisboa.

Por conta própria? Foi a melhor coisa que fizemos ter alugado a moto e saído por conta própria, com o nosso próprio roteiro. Nada de grupos e/ou pacotes prontos, onde já se tem tudo a mão. Tem hotel reservado, locais para comer, tem que rodar na estrada "X" e faz isso e aquilo. Já sabe de tudo que vai rolar desde que sai do Brasil.

Se pela Argentina, Bolívia e Peru não tivemos percalços, imagina se teríamos na Europa, ainda mais nos países visitados. Erga a cabeça, estufe o peito e mande ver você também. POR CONTA PRÓPRIA. A liberdade de rodar em duas rodas está ai.

Não que um pacote "completo" não seja atrativo, às vezes até é, inclusive pode sair até mais em conta do que viajar "solo", mas nada como você mesmo planejar seu roteiro, querer rodar por estrada X ou Y, parar em tal restaurante, hotel. Mas fica a opção.

O tempo também ajudou muito. Tivemos uma ou duas oportunidades em que pegamos chuva valendo na estrada, mas por pouco tempo. Chegando em Paris e em Ax-Les-Thermes. Mas logo cessou. Começo da viagem foi com temperatura amena e tempo nublado na maior parte do percurso, o que para nós motociclistas é bom, pois calor demais com as roupas impermeáveis judia do peão.

Segurança... aqui vem um fator dez nessa viagem. Por várias vezes deixamos os equipamentos na moto e quando voltamos estavam lá, inclusive o GPS. Obviamente que não se pode dar "sopa", pois uma hora some. Mas no geral a sensação de segurança foi muito grande e em nenhum momento pensamos em algo pior. Total liberdade. Inclusive moto posando na frente de hotel.

Falando em GPS. Nem pense em começar uma viagem sem um GPS com todos os mapas por onde pretende passar. Ainda fiquei em dúvida se levaria um GPS xingling que tenho, de 5", visto que o celular já tem tal dispositivo. Sorte que, na última noite, antes do embarque para Portugal, eu fiquei futricando na internet e baixei todos os mapas dos países para o iGO8 e coloquei no GPS. Funcionou que é uma beleza. Se não tivesse o GPS talvez estivesse tentando sair do emaranhado de vias de Lisboa. E todos os mapas funcionaram 100%, com todas as ruas mapeadas. Excelente. Até as diferenças de autovias e estradas secundárias funcionaram perfeitamente.

Assunto do GPS, lembrei dos MAPAS. Também essencial para a viagem, valem cada centavo gasto. Por países, você encontra em qualquer posto de combustível. Custam entre 5 e 8 euros. Os da Michelin são os mais completos e indicam cenários bonitos nas rodovias, riscando de verde os locais de interesse. Bom comprar um de cada país, na entrada do mesmo. Lembrando que as fronteiras são abertas, não tem que carimbar passaportes ou qualquer coisa. Passaporte só é carimbado na entrada e saída da União Européia. Levamos toda a documentação exigida, inclusive a Carteira Internacional ou PID, como queira, Permissão Internacional para Dirigir, e não precisamos tirar a mesma da bagagem.

Na estrada notamos uma grande diferença para o Brasil. O pessoal respeita muito a sinalização de trânsito, tanto que não tivemos problemas em nos adequar as velocidades impostas pela legislação local. Ficamos encantados principalmente com a Suiça. O povo de lá é muito correto. Parece que o tempo não passa e que os mesmos tem todo o tempo do mundo. Entramos no jogo, não é difícil. É até agradável. Tem que rodar a 60 km/h, roda-se a 60km/h. Todos enfileirados e ninguém ultrapassa o outro. Não ouvimos sequer um "buzinaço" na Suiça. Na França ocorre o mesmo. Já na Itália creio que o sangue ferva nas veias. Característica local. O pessoal já anda mais rápido, assim como na Espanha. Portugal também se roda calmamente. No geral todos passam segurança no trânsito, pode ter suas mazelas, mas no geral é excelente, ainda mais se compararmos com algumas regiões aqui do Brasil.

As paisagens, diferentes, são sempre alvo de curiosidade. Encantadores lugares, cheios de bosques, riozinhos, casas que parecem de bonecas, principalmente na França e Suiça, flores nas janelas, aquelas montanhas verdes com um ar gelado. Por várias vezes fugimos para as estradas do interior, que de interior não tem nada, pois são melhores que muitas rodovias pedagiadas aqui no Brasil, para curtir esse visual de montanha. Castelos, "Chateaus"... conhecemos apenas um, o de Chambord. Teríamos que ter uma vida inteira para vasculhar o que a Europa dispõe.

Encontramos muitos motociclistas, principalmente nas estradas da Itália. Muitos fazendo o caminho do StelvioPass, uma das estradas mais bonitas do mundo para se rodar. Na França também. Muitas motos. Paris o pessoal vai trabalhar na boa, mesmo com chuva. Tem umas capas protetoras que eles colocam nos scooters para proteger as pernas e pés e utilizam normalmente esse meio transporte. Terno, gravata e scooter. Aqui no Brasil isso não pegaria bem, assim como bicicleta, pois tem ainda muita resistência a sua utilização, até pela péssima infraestrutura existente. Mas você olhando é legal e funciona. Berna, capital da Suiça, a maioria dos trabalhadores utilizam bicicletas para ir ao trabalho. Pouco carros, muitas bicicletas. Primeiro mundo.

França é o país dos "motor-home". Encontramos diversos pelo caminho. Famílias inteiras com o próprio lar ambulante. O bom é que na França existe nas estradas saídas laterais chamadas de "Aire ... XXX". Nessas saídas, que geralmente é de 30km em 30km, tem postos de combustíveis, locais para recreação, banho, enfim, toda a infraestrutura para você sair da rodovia e descansar, abastecer ou fazer um lanche. Coisa nobre e gratuita. O pessoal não pára na beira da estrada.

Outra coisa que mais chamou a atenção foi a palavra Self Service. Não tem frentista, não tem calibrador de pneus, não tem o carinha para jogar água no vidro e limpar, enfim, desde hotel self service encontramos pelo caminho. Até nos supermercados você mesmo pesa os alimentos e em alguns você mesmo passa o código de barras e paga automaticamente.

Para abastecer, você mesmo abastece. Desce da moto, abastece o que quiser, pega o número da bomba e vai para dentro da conveniência pagar. Em alguns casos, fica somente a bomba e a máquina. Nessas você insere o cartão de crédito, moedas ou notas e abastece. Depois que abastece é debitado o valor do seu cartão ou se pagou em dinheiro o troco é devolvido na hora. Máquinas de café também é assim. Mas a variedade de opções é enorme. Pedágios também. Somente em algumas cabines tinha o tal "operador", no geral, nem operador havia. Somente a máquina e a cancela. Também funcionam com cartões, moedas e notas. Devolvem o troco na hora. Tudo automatizado. Ficamos pensando se eliminássemos tais empregos aqui no Brasil. Seria um caos.

Curioso foi um apart hotel que pegamos em Nimes, na França. Reservamos pela manhã, antes de sairmos de Nice. Devido as belíssimas estradas do dia, montanhas, serras e afins, chegamos na tarde, depois das 18h. Fomos direto ao hotel. Chegamos lá, estava tudo fechado. No primeiro momento ficamos sem saber o que fazer. Vimos na porta um número de emergência e resolvemos ligar. A atendente estava só a 200km da cidade ehehe. Informou o código da porta de acesso e um segundo código de um cofre, já no interior do hotel. E lá fomos nós tentar. Abrimos a porta principal. Tudo ok. Tinha um cofre na parece, desses de hotel. Abrimos esse também e... surpresa: dentro havia vários envelopes, e um com o meu nome e a chave do nosso quarto dentro dele. Muita graça nessa hora. Se fosse aqui no Brasil nem sei o que seria desse tal aparthotel. Entramos. Apart hotel novo, limpinho, com tudo que se tem direito. Loucura não? Uma excelente ideia. Cittea Nimes é o nome do apart. www.citea.com . Recomendamos.

O modo de agir é diferente do nosso. O povo no geral muito educado e você como turista entra no jogo sem  se dar conta, é muito fácil interagir com pessoas assim.

Um breve resumo nem sei do que estou escrevendo aqui... e se me lembrar de algo novo vou adicionando. Pessoal que estiver lendo e tiver algum tópico, manda ver que eu faço.

Estamos em casa, revendo as fotos, selecionando, os vídeos também. Tudo de bom.

Forte abraço a todos!

Spidi e Grazi

domingo, 21 de agosto de 2011

Porto Alegre - Erechim (RS) - 21/08/2011


Acordamos um pouco mais tarde hoje, na casa do amigo Sérgio e família.

Obviamente que "filamos" um belíssimo almoço antes do nosso regresso a Erechim. Fomos para a estação rodoviária e pegamos o último ônibus para Erechim. Nossa última corrida da viagem.

Sossegados, chegamos 21h em Erechim. E com mais um sonho realizado. Sem palavras.

Forte abraço a todos!

Gedson e Grazi

Lisboa Portugal - Porto Alegre RS Brasil - 20/08/2011


E chega a hora do retorno ao Brasil. Acordamos cedo para podermos fazer os trâmites e também carimbar as notas "tax free", para obter o retorno de imposto de algumas compras de maior valor que fizemos pelo caminho.

Chegamos no aeroporto de Lisboa 7h, com o voo marcado para as 10h05. Fizemos o check-in e etiquetamos as malas na TAP, com os dados do voo. Para obter o "tax free" tem que pedir as malas de volta. Elas não são despachadas pela esteira da companhia aérea e sim pela esteira da alfandega, pois os produtos são verificados quanto a sua saída do país.

E como tal, igual ao Brasil, ineficiente, somente um guichê para uma fila de mais de 100 metros. Mais um detalhe: tem uma tal de fila prioritária, onde gestantes e/ou com filhos pequenos passavam na frente, isso bem ao lado dos check-in das companhias aéreas com voos para a Africa, onde, no momento, quase todos eram prioritários. Ferrou.

Ficamos mais de uma hora nessa fila. Certo momento falamos com um fiscal do aeroporto e o mesmo disse que seria mais sensato perder o "tax-free" do que o voo. E assim fizemos.

Desistimos da fila 20 minutos antes do voo e corremos para despachar as malas em um check-in vazio da TAP. E começa uma correria danada para não perder o voo, pois deu mais de 15 minutos de corrida de onde estávamos até o portão de embarque.

Deixamos uma quantia considerável para o nobre governo português. Teria que ter pelo menos dois guichês funcionando a pleno, um para o público normal e outro para o prioritário/normal. Como diz o ditado: vão se os anéis e ficam os dedos.

Vou abrir um parentese aqui, pois encontrei um texto na internet que dá mais ou menos a dimensão do que ocorre: http://www1.folha.uol.com.br/turismo/759976-receber-tax-free-e-tarefa-complicada.shtml - o sistema é "feito" para que não se receba nada. Paciência!

E conseguimos embarcar no último ônibus que levaria até o avião, juntamente com as malas.

O voo começou com uma tremenda turbulência, creio que seja por causa do tempo instável em Lisboa e região. Mas logo ficou um dia claro e muito bonito. E o voo em ordem. A viagem de volta, de dia, foi muito mais agradável que a ida, a noite. Passou mais "rápido" as mais de 10h de voo da capital portuguesa a capital dos gaúchos, Porto Alegre.

Chegamos pouco mais das 18h. Nenhum controle alfandegário no Salgado Filho. Trâmite rápido.

Os amigos Sérgio e Olga nos esperavam. Fomos para os aposentos da Dona Ieda. Serjão preparando um delicioso churrasco, bem gaudério, para matar a saudade. Amigos Gilberto e Marlene também estavam presentes. Muita prosa.

Obrigado ao amigos Sérgio, Olga e toda aquela bela família pela recepção e hospedagem. E por toda a "logística" em Porto Alegre.

Hora de dormir... pois estamos com 4h a mais em nosso "fuso".

















Lisboa Portugal - 19/08/2011

A previsão do tempo para hoje seria chuva, mas fomos agraciados com um belo dia de sol. E calor.

Tomamos o café da manhã no hotel e ficamos aguardando o amigo M@D português Manoel, vulgo MOV, para um passeio de carro pela cidade. Ele também participa do BMW MotoClube Portugal.

Dez horas em ponto, encosta o amigo Manoel com seu Mercedão preto, reluzente, impecável. Começamos com uma visita a fábrica original, e centenária, dos famosos Pastéis de Belém, que de pastéis não tem nada, pois parece uma empada com recheio. Mas muito delicioso, ainda mais com açúcar e canela.

Fomos costeando o rio Tejo, onde já tínhamos visto no dia anterior a Torre de Belém e o Monumento aos Descobrimentos. Lindíssimos cartões postais da cidade.

Já entrando na zona do oceano Atlântico, em direção a Cascais. Subindo em direção ao Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa continental. Espetáculo de lugar, com suas falésias se debruçando sobre o Atlântico (ou seria o contário kkk).

As estradas, como sempre, impecáveis. É uma maravilha rodar por aqui.

Iniciamos o retorno a Lisboa. Antes, paramos no YachtClub para um delicioso almoço. Lugar muito agradável e calmo. Excelente.

Nosso único compromisso do dia era a entrega da moto para os amigos da MotoXplorers. Chegamos do passeio quase 16h. Pegamos a moto no hotel e fomos fazer a devolução. Peguei as malas que estavam na empresa. Tudo resolvido. Voltei para o hotel de carona com o amigo Manoel.

Deixo aqui registrado o esforço desse nobre colega português para nos acolher em sua belíssima cidade. Ficamos o dia todo por conta dele. Agradecemos muito e quando vier ao Brasil será recebido de portas abertas, sem dúvida. Um forte abraço.

Descansamos um pouco no hotel e depois fomos a um grande shopping que tem em várias cidades da Europa, chamado El Corte Inglés, fazer as últimas compras. Ainda bem que fomos com tempo, pois é enorme.

Ficamos recorrendo os corredores por um bom tempo. Vinhos, roupas, comida, queijos, bicicletas, informática, telefonia, enfim, uma variedade enorme. Nesse shopping também é fornecido um desconto extra aos estrangeiros (10%), na hora, e fornecem o certificado "tax free", para devolução do IVA na aduana do aeroporto.

Pegamos um táxi e fomos deixar as compras no hotel. Pedimos que aguardasse, pois iriamos mais uma vez ao restaurante chinês da avenida de Berna. A despedida dos amigos chineses. kkk

O táxi é barato em Portugal, média de 5 a 8 euros, dependendo do caminho. E rápidos. Pode solicitar no próprio hotel. Nem 5 minutos terá um lhe esperando na porta.

Agora a pouco, arrumando as malas, já bateu uma tristeza pensando no retorno. Já se foram 20 dias. Passou muito rápido. Mas também foram 20 dias muito bem aproveitados.

Hora de nanar. Amanhã temos que acordar cedo, e bem cedo.

Forte abraço a todos!

Spidi e Grazi